Porque será que queremos tornar tudo tão complexo. (ou secalhar sou só eu) Queremos o conforto do hábito, mas dispensamos a monotonia. Queremos muito algo novo, mas deixamo-nos embalar pela vontade de não lutar. Queremos perceber o futuro, mas temos vertigem de viver o presente.
Aqui. Agora. Não sei se vale a pena ir mais longe que isto. Olhar para o que poderá vir a ser é cortar as pernas ao que agora é.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Missing link in the chain
We'll fuel your minds
Color your thoughts
Come to you waking dreams
Fire, inspiration
Missing branch on the tree
We're all rude
We're all black
Come to you in waking dreams
Sail the stream as I dance upon the waves of a waking dream
As it passes you by.
Ride the beam as I rise upon the wings of a waking dream
As it fades in the sky.
Mind transformation
You were chosen
Live the the dream that we have been dreaming
Now is a time to come together and make it come true
Oh me and you
Sail the stream as I dance upon the waves of a waking dream as it passes you by.
(Dancing on the waves)
Ride the beam as I rise upon the wings of a waking dream as it fades in the sky.
Waking Dreams - Ayreon
Quando passamos muito tempo a escavar as nossas próprias feridas, elas vão-se tornando num imenso buraco. E quando no fundo desse buraco, que mais não é que o vazio em que nos tornámos, colocamos uma singela vela, não mais que um trémulo reflexo chega até nós, como um pássaro que se tenta libertar mas que à medida que o vai fazendo lhe vão arrancando, uma a uma, as penas das asas, acabando por cair outra vez. Mas de repente algo acontece, algo cái no mais fundo vazio em nós, algo que irradia uma luz tal, que nada, nem ninguem, tem o poder de a ofuscar. Essa luz ilumina tudo aquilo que somos, e que não somos, mas essa luz expulsa tambem do mais fundo de nós todos os medos e todas as dúvidas que até ai estavam adormecidas embaladas pelas mãos da solidão, e devolve-as a nós, e nós, perdidos, temos dificuldade em lidar com elas. Porque não é só deixar essa luz chegar, não é só deixarmo-nos envolver por ela, não é só parar e olhar para ela, perplexos pelo facto de algo conseguir irradiar tanta luz. É preciso caminhar para ela, e isso significa descer ao mais fundo de nós, passar por tudo aquilo que até ai escavava as nossas feridas, lutar contra tudo aquilo que até ai nos empediu de ser. Só quando lá chegamos é que a conseguimos abraçar, e ás vezes a vertigem é tão grande...
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Ás vezes, assim do nada, sorrio, a maior parte das vezes é algo que até provoca surpresa a quem me rodeia, imagino que pela cabeça dessas pessoas deve passar qualquer coisa do tipo "este gajo está a gozar comigo". Olhar para determinada situação e sentir que no fundo somos todos uns miudos que, como quem anda pela primeira vez de bicicleta, tenta não cair desta coisa que se chama vida provoca isso em mim. :-) Nem sei o porquê de estar a escrever isto mas... de certa forma sempre olhei assim para a vida, a forma como o que os meus olhos vêem é tratada na minha problemática cabeça é que vai mudando, quando desistimos de ver a vida como ela nos é apresentada temos sempre grande probablidade de ser infelizes, mas gosto de acreditar que tambem temos a possibilidade de ir onde aqueles que não o fazem nunca chegaram. Nem sei se estou a caminhar em direcção a algo, nem estou interessado nisso, mas sei que neste momento estou mais perto da impossibilidade do que alguma vez estive, amanha não sei, logo se vê. Só tenho algum receio de envolver parte do mundo nisso, porque quando estamos sós tudo nos é permitido, e ás vezes é difícil perceber onde acaba essa fronteira, onde o que vive em nós se torna de mais alguem, alguem que não podemos, e muito mais importante não queremos, magoar. Mas como um miudo que tenta com toda a força não cair, na primeira vez que anda de bicicleta, tambem eu vou continuar a pedalar em direcção a não sei quê, porque esta brisa na cara sabe tão bem.
domingo, 27 de abril de 2008
Neste momento a pergunta que me ocorre fazer a mim mesmo é - será que isto me vai matar? Porque passa-se alguma coisa fora do normal aqui dentro, e entenda-se por normal algo que costuma lá estar. É incrivel como na ausência o real toma contornos tão irreais, porque não poder tocar, ver, cheirar, poder apenas sentir aproxima-o muito do sonho que não existe senão para nos fazer sentir. Não saber onde me encontro neste momento provoca-me uma certa asfixia, aquele nó na garganta, será que alguem faz o favor de me acordar, se é que estou a sonhar... Sinto que estou tão longe e que o caminho a percorrer é tão difícil que só de olhar dá vontade de desistir, mas como é que se desiste de algo sobre o qual não temos qualquer poder, como é que a razão pode lidar com algo que nos aperta o estômago e nos tira o sono?
layers of dust and yesterdays
shadows fading in the haze of what i couldn`t say
and though i said my hands were tied
times have changed and now i find i`m free for the first time
feel so close to everything now
strange how life makes sense in time now
:'-)
e voa, voa, voa.
sábado, 26 de abril de 2008
Nunca nos devemos tornar em algo que não estamos preparados para ser, porque chega sempre a altura em que percebemos que de fora é giro mas para se entrar é preciso algo mais que vontade. Talvez a razão seja algo que não foi feito para mim, ou dando a importância ao que merece, talvez eu não tenha sido feito para ela.
Just a dog? "Just"?
Porthos dreams of being a bear, and you want to shatter those dreams by saying he's "just" a dog? What a horrible candle-snuffing word. That's like saying, "He can't climb that mountain, he's just a man", or "That's not a diamond, it's just a rock." Just.
With those eyes, my bonny lad, I'm afraid you'd never see it.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
De todos os passos, o seguinte é sempre o mais dificil. Porque é aquele que temos de dar, porque os que demos já pertecem ao passado e porque aqueles que daremos a seguir a este ainda pertecem ao futuro. E o presente é o que temos. E ás vezes dói tanto ter a noção e estar preso ao chão. Por vezes podemos até dividir esse passo em centenas de outros pequenos passos, podemos até chegar ao ponto de nem termos a noção que estamos a andar, e mesmo assim chegar a um ponto em que se torna difícil avançar. E nesse ponto o que é que fazemos?
something that would make me never want another
something that would make it so that nothing matters
all would be clear then
but i guess i'll have to settle for a for a few brief moments
and watch all dissolve into a single second
and try to write it down into a perfect sonnet
or one foolish line
because that's all that you'll get so you'll have to accept
you are here and then you're gone
but i believe that lovers should be tied together and
thrown into the ocean in the worst of weather
and left there to drown
left there to drown
in their innocence
but as for me i'm coming to the final chapter
i read all of the pages and there is still no answer
only all that was before i know must soon come after
that is the only way it can be
so i stand in the sun
and i breathe with my lungs
trying to spare myself the weight of the truth
saying everything you have ever seen was just a mirror
and you've spent your whole life sweating in an endless fever
and now you are laying ina bathtum full of freezing water
wishing you were a ghost
but once you knew a girl and you named her lover
and danced with her in kitchens through the greenest summer
but autumn came, she disappeared
you don't remember where she said she was going to
but you know that she is gone because she left you a song
that you don't want to sing
we're singing i believe that lovers should be chained together
and thrown into a fire with their songs and letters
and left there to burn in their arrogance
but as for me i'm coming to my final failure
i've killed myself with changes trying to make it better
but i still ended up becoming something other than what i had planned to be
now i believe that lovers should be draped in flowers
and layed entwined together on a bed of clover
and left there to sleep
left there to dream of their happiness
A Perfect Sonnet - Bright Eyes
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Sempre que desejamos algo esse algo molda de certa forma aquilo que no momento somos, porque há pequenas coisas em nós que são como os galhos de uma árvore que se inclinam ao sabor do vento. E apesar do tronco se manter exactamente como era, aquilo que se encontra na superfície, quer queiramos quer não, adapta-se. Muitas foram as vezes que em conversas abordei a necessidade de nos moldarmos ao instante, por vezes precisamos de ser como os liquidos, não sei isso representa algo de mau, mas acho que se ninguem estiver disposto a torcer, acabamos todos por quebrar. Nunca tive medo de me moldar, porque sempre tive os pés bem assentes na terra, e de certa forma sempre tive a noção daquilo que sou, claro que mediante o estado de espírito tambem tenho diferentes prespectivas daquilo que sou, mas só pelo facto de me olhar de maneira diferente não muda aquilo que sou, tal e qual como se por um instante inclinar a cabeça para tentar perceber algo, tambem não vai mudar aquilo que a minha cabeça é.
Em tempos quando era mais novo, não que me sinta velho, mas tambem tenho a noção que já fui mais novo, costumava dizer para os outros para não se esquecerem de ser felizes, e que para isso era preciso começar por aceitar aquilo que nos rodeia e a tudo isso nos tentarmos moldar, não que tenhamos de fazer parte daquilo, mas pelo menos no pior dos casos moldarmo-nos de forma a que aquilo não nos consuma.
Há sempre tempo para tentar e para seguir, nunca tive muito sucesso na árdua tarefa de ser feliz, mas estou aqui, nem quero tentar perceber se aquilo em que me tornei ainda está num ponto onde seja possivel voltar atrás ou não, porque tambem não é isso que pretendo, o que gostava mesmo era de seguir em frente, porque errar mil vezes é estar essas vezes todas mais perto do caminho certo....
quarta-feira, 23 de abril de 2008
E depois, quando a chuva recomeça a cair, que fazemos?
Abrimos os braços e tiramos prazer de a sentir cair sobre a nossa face, porque se ela caí é para nós.
Hoje disseram-me qualquer coisa do tipo - não sei o que é que se passa mas andas muito contente... - o_O . Isto quer dizer que o nosso exterior responde muito mais depressa áquilo que desejamos do que aquilo que no mais fundo de nós existe... Ou então não quer dizer exactamente nada.
Hoje estou naqueles dias que as coisas que me passam pela cabeça, passam de uma forma tão imperceptível que dificilmente conseguiria de lá extrair algo com algum sentido. Ou seja é um daqueles dias perfeitos para ao som de uma qualquer musica que me embale mergulhar no mais profundo de mim.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Normalmente apoiamos a nossa vida em pequenas coisas, que todas juntas nos sustentam. Algumas vão desvanecendo com o tempo, e no seu lugar outras aparecem, mantendo assim o equilíbrio. Quando, por qualquer motivo, muitas delas desaparecem repentinamente a nossa vida ameaça ruir. Mas as pequenas coisas existem aos milhares e basta um pouco de vontade para não nos despedaçar-mos no chão. Por vezes há uma altura da nossa vida onde vamos dando uma importância maior a algo que nos hipnotiza, e vamos deixando cair, na sua fragilidade, cada uma das pequenas coisas, e sem darmos por isso vemo-nos apoiados num grande pilar e altamente dependentes dele, e nesse momento sentimos a vertigem. Tem de haver uma maneira de nos deixarmos levar e connosco levar tudo o resto, não deve ser fácil mas tambem não deve ser impossível. Matematicamente é impossível dividirmo-nos por várias coisas e algo ficar com tudo, mas a vida não é propriamente um problema matemático.
(Não sei porque mas hoje apetece-me sorrir(-te) e piscar(-te) o olho)
I learn to understand
Getting harder to pretend is ok with me
In this moment I believe
And I want it so much
In spite of everything
You make me so real
I don't have to shut myself in this cage of me
I see what I haven't seen
I wanna share my place to hide
My place to feel
With You
In this moment I believe
And I want it so much
In spite of everything
I learn to understand
If only I was worth waiting for...
I Believe - Riverside
Quando se parte para uma viagem há sempre a possibilidade de nos perdermos. Mesmo que seja uma viagem sem destino. Porque perdermo-nos não é desviarmo-nos do rumo que nos leva a determinado sítio, perdermo-nos é deixar de ter a noção de onde partimos. Portanto torna-se indispensável saber onde estamos antes de pensar em partir. Porque começar uma caminhada sem ter um ponto onde voltar é admitir a possibilidade de perder tudo, e por vezes pouco é muito mais que nada. Não quer dizer que não me queira fazer à estrada, até porque se há coisa que gosto de fazer é caminhar, gostava era de ter um sítio para voltar quando nos perdesemos. Porque é dificil construir castelos de areia numa enseada num dia de vento... são demasiadas contrariedades para algo tão frágil. Mas dificil é, ainda assim, tão distante do impossível.
When i was younger, younger than before
I never saw the truth hanging from the door
And now i'm older see it face to face
And now i'm older gotta get up clean the place.
And i was green, greener than the hill
Where the flowers grew and the sun shone still
Now i'm darker than the deepest sea
Just hand me down, give me a place to be.
And i was strong, strong in the sun
I thought i'd see when day is done
Now i'm weaker than the palest blue
Oh, so weak in this need for you.
Place To Be - Nick Drake
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Vou cortar pela raiz. Vá, já não será mau se me libertar do ramo e me deixar levar pelo vento. Deixar que apenas a forte pressão do ar sobre os meus olhos me provoque as lágrimas.
E quando de novo na faca imaginaria pegar será para te despedaçar. Ego. Porque as feridas já não deixam espaço para mais, não que sejam muitas, o espaço é que sempre foi pouco. Sempre tentei tirar de mim coisas que em mim não há. Não tenho mais coelhos para tirar da cartola. E tirando isso o nada que fica é o que tenho para dar. Quero sentir o medo, o terrível medo de perder. Porque para se perder o que quer seja é preciso primeiro alcançar. Luta? Não quero lutar. Estou apenas pronto para agarrar aquilo que ás minhas mão vier parar.