terça-feira, 21 de outubro de 2008

tudo faz parte da eterna historia, não mais que um momento guardado, repetido vezes sem conta, perdendo o sentido a cada realização, sonho gasto, mal tratado, não é ele, és parte dele, são as tuas mãos sem um sitio para te segurar. pára agora, deixa passar tudo o que te levou, faz-te á estrada e volta ao sitio de onde partiste, historia contínua do teu eterno vazio.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008





I'd like to be able
To make a decision.
I'd like to be stronger,
But it's getting harder.
I'm just a coward
Loosing his mind.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

aqui estou, semente de mim, será eterna?

como uma planta, ciclo natural, cair e levantar, como a eterna semente de mim. no fundo aquilo que és acaba sempre por voltar a crescer. onde? depende da força do vento, ou para ti, semente de mim, depende da força dos sonhos. cair ao chão é apenas abandonar algo que morreu, crescer é apenas depositar isto que és num chão de sonhos e deixares-te florir. és sempre, mesmo que o deixes de ser para ser algo maior, és sempre mesmo quando seguras o mundo nas mãos, és sempre mesmo quando deixas cair as primeiras gotas, és sempre mesmo quando te falta as forças e te estilhaças no chão. és e serás eternamente

até que os sonhos te abandonem

terça-feira, 14 de outubro de 2008

aqui não mais que um muro.

as costa nele fixas, a cabeça baixa, não sei para onde foi a força, aquela que necessito para saltar daqui. no outro lado o mar. aqui neste lado um som, que faz lembrar o medo, consome tudo o resto, restasse ainda alguma coisa. grito mudo. grito que sou capaz.

será que os peixes ouviram?

domingo, 12 de outubro de 2008

aqui chega. ponto de partida de sempre, para sempre.

é sempre assim, um sonho vivido, trazido aos pés de quem não sabe agarrar-se aos fios da vida, não se sabe atirar sem medo de ficar preso no seu emaranhado. conseguirás caminhar por entre os pingos de chuva que caem deste ceu carregado de hipoteses, terás a força para abrir os olhos e ver que nada é nada, para alem do sonho que sonhas. agora acorda, olha pela janela e ve como está limpo o teu dia, sem uma unica folha caida no chão que pisas. encontras então a razão, os teus olhos não vêm, as imagens são tranportadas até ti pela tua propria necessidade de as ver, a chuva cai mas não molha, o sol brilha, mas não consegues sentir o seu calor.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

num instante tudo deixa de estar no sitio onde estava. momentos antes tudo estava ali, imovel, na estante da inutilidade, tudo é inutil se não lhe dermos utilidade, ou tudo o que pode ser utilizado se torna inutil, já não sei. de repente, nesse instante, alguem corre pelo enorme vazio até á estante e espalha todo o seu conteudo pelo chão. o silencio desaparece e os gritos invadem toda a sala, é esse o preço da acção, sentes o calor desses gritos? já esqueceste o frio do silencio? não deixes de o escutar não arrumes os sentimentos agora espalhados pelo chão do teu ser, deixa que essa força que não compreendes te invada e que pelo menos te faça sentir vivo, consegues sentir a vida?

escuta o seu grito

domingo, 5 de outubro de 2008

a força confunde-me agora, quando mais preciso dela, um rasto negro sobre a linha das pegadas que deixo, como se tudo fosse um gesto maligno, acho-me aqui, perdido, num mar de lagrimas sem saber se sou sequer capaz de por mais uma vez expelir o ar de dentro de mim. querer dá-nos, e ao mesmo tempo tira-nos tudo, por mais que tente acreditar que no dia serei capaz, fujo do dia porque tenho as mãos cheias de nada, sou um barco perdido em alto mar, que navega em direcção a um ponto imaginario, julgando ser o que por fim se possa chamar terra. e se não mais que isso for? não mais que um produto da minha imaginação.


so help me disappear
or to believe in a change
no way out of here
that i can see
or the nightmares that burn
into my head at night
make them disappear
so i can breathe

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

um dia pensamos que somos um ponto, algures, no meio de milhares de pontos, pensamos que somos parte de uma linha, linha essa que nos une ao mundo. depois há dias em que essa linha se desfaz, em que deixamos de nos sentir unidos a ela e a vida pára um pouco, e tentamos voltar, voltar áquela linha.
dá-me a tua mão, não me deixes cair, gostava tanto que um dia podesses perceber, neste momento não sou um ponto, e não consigo fazer parte de linha alguma, dá-me a tua mão, só assim poderei algum dia o ser.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

-O sentido encontrá-lo-ás aqui. - e abres assim a tua mão, nela seguravas algo que agora, levado pela brisa da tua respiração, voa para longe, como um mundo de sonho que desvanece ao amanhecer, e para onde foi? já paraste um pouco para pensar no rasto que ele deixou?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008


tudo é o sinal da sua passagem, mesmo nós o somos, a memória prende-nos aos instantes que fomos, como sinais presentes de um passado que não esquecemos. caminhamos sobre objectos que são o significado do que passou, e com cuidado tentamos não os pisar, como quem evita espezinhar o passado, deixando que o sitio onde ele o encaminhou seja para si tudo o que deseja, neste momento de esquecimento. perder é desviar o olhar, esquecer é deixar partir a imagem daquilo que foi, gostava para sempre de lembrar aquilo que foi, aquilo que tem sido, como uma flor que cai no chão


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

talvez seja a verdade nos meus olhos, onde estás? quanto mais terei de perder, de desistir, quanto mais precisarei negar para te ver. talvez não exista, ou exista em pequenos fragmentos em algo diferente, tão diferente que não me passa pela cabeça lá existir. não quero chegar, quero apenas olhar e perceber que não sou, apenas o tentei, talvez do outro lado, talvez de um outro modo, talvez...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

deixa que a luz, raio de sol que bate agora no parapeito da tua janela, te encha até que o lugar mais escuro em ti, lugar de segredos e medos povoado por uma razão distorcida que adoece, queima e perturba, se evapore numa tempestade de cinzas. mas não apaques o fogo, deixa que ele arda, como se dessa chama dependesse a possibilidade de um dia vires a ser...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

terça-feira, 12 de agosto de 2008

valer a pena

poderia começar pelo valer, quanto vale afinal. quanto vale um sonho, quanto vale o chão estável que pisamos, quanto vale esta ilusão de segurança, quanto vale este teatro, quanto? valerá a pena? ou poderemos soprar tudo isto e seguindo o seu percurso ver o mundo desaparecer perante os nossos olhos. poderemos alcançar sem regras, poderemos chegar sem seguir o caminho, poderemos ser independentemente do que já somos quando começamos? seremos mais que uma hora e um local, mais que uma peça de um percurso, mais que um acidente? e depois a pergunta, sempre a pergunta, aquela pergunta, porque continuamos a correr?

Valerá a pena?

domingo, 10 de agosto de 2008

existem coisas que nos marcam, que nos deixam a sua marca, que mesmo não sendo algo que possamos tocar, nos tocam com uma froça imensa. pode ser aquilo que queiramos que seja, pode ser só aquilo, ou podemos fechar os olhos e deixarmo-nos invadir, e assim ser algo mais, algo que nos provoca o arrepio de sentir. é dificil encontrar algo puro, é, provavelmente, mesmo impossivel, mas isso não impede de o recebermos como tal.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Queria, por momentos, deixar-me ficar ali, parado, e de mim partir em direcção a um outro eu. Não, não há puramente mau, e não, não há puramente bom. Portanto o que poderia deixar sem mágoa e o que poderia levar sem receio? Não há sentido numa viagem que nos leva para longe, a unica viagem que faz sentindo é aquela que nos aproxima, que nos mostra a maneira de lidar com aquilo que contemos, mesmo que seja apenas uma imensidão de nada, até porque é mais facil construir num espaço onde até ai nada existiu...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

por vezes nasce, talvez de uma violenta incerteza, uma necessidade, extrema será, pois não mais a encontro nos limites conscientes, apenas naqueles momentos em que a força do não pensar abraça de uma forma tal que é impossivel quebrar esse laço que nos asfixia, a vontade de com os meus dedos arrancar toda a matéria que constitui o meu peito

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Chegamos agora, agora mesmo, ainda o sol não nasceu e já cá estamos de olhos bem abertos para o ver chegar. Talvez o dia passe e o sol desça até á terra e com ela se funda na escuridão sem percebermos o que é a luz, talvez nos sentemos um pouco a olhar as estrelas, talvez não mais que isso seja, mas, mesmo assim, já é tanto.

domingo, 3 de agosto de 2008

Carrego comigo estes vestígios, são como sonhos, mas as imagens que guardo são demasiado reais para serem apenas um produto da minha imaginação. Serei eu real? Ás vezes dou por mim a pensar se não serei apenas um ser imaginario, se tudo isto é um sonho, não, não pode ser, porque os sonhos não são assim, nos sonhos tudo é bonito e perfeito, como poderia eu fazer parte de um? Aqui tudo é real, estes vestígios em mim são reais, esta imagem que guardo é real, esta aconchego que sinto é real, tudo isto é real, mas ás vezes é dificil acreditar, porque se parece tanto com um sonho.

sábado, 2 de agosto de 2008

A vida é assim, dá-nos a possibilidade de tocar o inalcançavel, para que possamos sentir que vale a pena caminhar na sua direcção. Mesmo que tudo aquilo que pensamos algum dia poder seja tão pequeno quanto aquilo que pensamos ser. Ás vezes sem saber de onde ou porque, nasce em mim a sensação de estar um pouco para alem daquele sitio onde alguma vez pensei poder chegar, nesse momento sinto a vertigem de estar muito mais alto do que deveria estar. É como se um raio de luz chegasse para iluminar tudo, e os meus olhos num instante de fraqueza se fechassem com medo que toda aquela luz os possa cegar. Ao abri-los, lentamente, aquela imagem perfeita, cheia de luz, continua ali, a escassos centimetros, e nesse instante em que tudo é mais, muito mais do que aquilo que alguma vez pensei poder alcançar, o inalcançavel és tu, não sei porque é que a vida nos proporciona isso, sei apenas que, só por isso, sinto que ela já valeu a pena.